Por que essa história importa
Quando falamos em “estudar e jogar futebol nos Estados Unidos”, muita gente imagina um sonho distante. A trajetória do Pedro Campos prova o contrário. Em quatro anos na Dartmouth College — integrante da prestigiada Ivy League — ele combinou rotina de treinos diários, aulas desafiadoras e um plano acadêmico flexível que o levou a se formar em Economics (Modified with Computer Science), com minor em Mathematics. Hoje, atua como Audit Associate na KPMG. Nessa conversa, ele compartilha o que aprendeu sobre desempenho, disciplina e escolhas — dentro e fora de campo — e deixa um roteiro valioso para quem deseja trilhar o mesmo caminho.
A força do modelo Liberal Arts
O que mais marcou o Pedro foi o modelo de Liberal Arts. Em vez de “engessar” o aluno desde o primeiro dia, as universidades permitem explorar diferentes áreas antes de declarar a major. Ele chegou interessado em Economia, aproximou-se de Ciência da Computação, somou Matemática e desenhou uma formação multidisciplinar, amparada por aconselhamento acadêmico de alto nível. Essa flexibilidade é valiosa para atletas que estão amadurecendo interesses enquanto vivem uma rotina esportiva intensa — e é exatamente isso que torna a experiência acadêmica mais rica e estratégica para a carreira.
Vida de atleta D1: estrutura, disciplina e altos padrões
O futebol universitário na NCAA Division I é uma escola de excelência. Segundo o Pedro, a estrutura impressiona: gramados impecáveis, estádios de outro nível, tecnologia para análise de desempenho e recuperação, material esportivo completo e suporte constante. Mas tão importante quanto os recursos é a cultura de disciplina: horários cumpridos com rigor e um padrão de entrega que se reflete na sala de aula. Ele lembra de uma frase que carrega até hoje: “If you’re early, you’re on time. If you’re on time, you’re late. And if you’re late, you’re fired.” No fim, a mensagem é simples: respeito ao processo, consistência e responsabilidade.
O segredo antes do embarque: físico, inglês e repetição
A preparação do Pedro começou no Brasil. Ele reforça três pilares essenciais para chegar pronto:
• Condicionamento físico: trabalhar resistência (endurance), força e prevenção de lesões para sustentar treinos e jogos em alta intensidade.
• Inglês e provas: estudar com seriedade para ir bem no SAT e no TOEFL e para acompanhar a leitura e a escrita no dia a dia acadêmico.
• Rotina e repetição: como nos treinos, a consistência no estudo faz a diferença — conteúdo vencido e revisado vira confiança.
Equilíbrio acadêmico-esportivo: o verdadeiro diferencial
Em ambientes seletivos, não basta “ser bom de bola”. O atleta precisa dominar a agenda, gerenciar sono e alimentação, planejar provas e deslocamentos, alinhar expectativas com treinadores e professores e, acima de tudo, praticar a autonomia. O Pedro destaca que, em muitas faculdades, há limites oficiais de carga de treino justamente para preservar o desempenho acadêmico. Isso exige organização e comunicação madura — duas habilidades que o mercado valoriza muito e que começam a ser construídas já no primeiro semestre.
Da Ivy League para o mercado: competências que ficam
1. Organização: sem método, ninguém evolui. Agenda, prioridades e constância são inegociáveis.
2. Foco em soluções: apareça com propostas e caminhos, não só com problemas.
3. Trabalho duro: esforço consistente, mesmo quando não há aplausos, cria resultados sustentáveis.
Entrevista – perguntas e respostas (íntegra)
Como foi a sua experiência acadêmica em Dartmouth College?
Minha experiência acadêmica em Dartmouth foi muito recompensadora. O principal ponto, para mim, é o modelo de Liberal Arts (ou Bachelor of Arts) das universidades nos Estados Unidos, que permite ao estudante explorar diferentes áreas antes de definir a sua major. Eu mesmo cheguei interessado em Economia, mas, com o tempo, fui me aproximando de Computer Science e Matemática. No fim, acabei me formando com major em Economia com Computer Science e minor em Matemática. O que mais se destaca nesse sistema é a flexibilidade de construir a própria formação, apoiado por um sistema de counseling muito eficiente, além das aulas desafiadoras e de professores excelentes.
Como foi balancear o desempenho acadêmico, em uma instituição tão conceituada e exigente, com um programa de futebol igualmente de alta performance?
Estar em uma faculdade de alto nível acadêmico e esportivo eleva você como pessoa a esse mesmo padrão. Foi um desafio muito grande, principalmente na administração do tempo, já que eu tinha treinos todos os dias, além de aulas bastante exigentes. Mas é um desafio extremamente recompensador, porque você sai da experiência com uma versão melhorada de si mesmo.
Major: Economics Modified With Computer Science, Minor: Mathematics
Com relação à sua preparação pré-universidade, aqui no Brasil, quais foram os fatores que fizeram a diferença para ter um perfil para Dartmouth College?
Minha preparação no Brasil foi principalmente no aspecto físico, para estar pronto para um ambiente desafiador tanto intelectual quanto fisicamente. Eu estudei em uma escola com ensino muito forte, então, apesar de as demandas acadêmicas em Dartmouth serem difíceis, eu conseguia administrá-las. O que fez mais diferença, para mim, foi ter treinado duro, com intensidade, sempre buscando evoluir fisicamente. Isso me permitiu chegar lá em uma condição boa e preparado para encarar um ambiente de alta exigência.
Como você se preparou para tudo isso? Como conseguiu unir o alto nível acadêmico com alta performance esportiva?
A parte esportiva é algo que todo brasileiro já começa a treinar desde pequeno, porque o futebol faz parte da nossa cultura. A bola a gente sempre teve; a preparação que realmente precisava ser feita era no aspecto físico — principalmente de endurance — e também no mental, com bastante fortitude. Já no nível acadêmico, não tem muito segredo: é estudar muito, com foco no inglês, e, assim como nos treinos, repetir o máximo possível para chegar preparado.
Como foi a sua experiência com o futebol universitário dos EUA? Estrutura, nível dos atletas, organização, disciplina, treinamentos.
A estrutura foi algo que realmente me fascinou. Você vive a vida de um atleta de altíssimo nível, com acesso às tecnologias mais recentes para recuperação e análise de desempenho. Os campos de treinamento têm gramados perfeitos, os estádios de jogo nem se comparam, e há todo o suporte de material: uniformes Nike para treino e jogo, chuteiras a cada temporada, tênis de corrida. No quesito estrutura, é quase inexplicável. Isso reflete a organização das universidades e como elas investem de verdade no esporte universitário.
Claro que toda essa estrutura e esse ambiente, que favorecem a alta performance, também exigem muita disciplina e muito treino. Eu aprendi muito sobre disciplina lá — principalmente sobre estar presente nos horários certos. Uma expressão que nunca esqueci foi: “If you’re early, you’re on time. If you’re on time, you’re late. And if you’re late, you’re fired.” A tradução cada um pode fazer, mas a mensagem é clara. No fim, foi uma experiência extremamente recompensadora.
Agora, com experiência de vivência de 4 anos em um programa de futebol de uma universidade da NCAA Division I, qual é a sua análise do perfil esportivo-acadêmico dos atletas internacionais recrutados ao longo dessas temporadas?
O perfil de um estudante-atleta em uma faculdade da NCAA Division I é de alguém que precisa ter alto nível em todos os aspectos da vida. No caso da minha universidade, o foco acadêmico era até maior do que em muitas outras dos Estados Unidos — tanto que havia imposições da própria conferência limitando os treinos justamente para preservar esse equilíbrio.
Mas, de forma geral, não adianta ser apenas bom de bola e deixar outras áreas de lado. Você precisa elevar todos os níveis da sua vida para acompanhar as demandas que a faculdade impõe. Isso significa ser organizado, disciplinado, esforçado, criativo e inteligente, especialmente para administrar o tempo e dar conta de tudo o que está acontecendo ao mesmo tempo. Então, o perfil do estudante-atleta é o de uma pessoa que está constantemente buscando se desenvolver e elevar todos os âmbitos da própria vida.
Além do conhecimento acadêmico adquirido, o que fez grande diferença no seu crescimento para a vida profissional?
Eu saí da faculdade com um diploma e uma experiência incrível, mas principalmente com uma fortitude mental muito maior do que quando entrei. Claro que isso também vem com o amadurecimento natural de ter começado aos 18 anos e saído aos 22, mas o mindset do estadunidense, que busca sempre ser melhor do que ontem e pior do que amanhã, me trouxe ensinamentos valiosos. Para mim, os principais foram a disciplina e a ideia de não buscar desculpas. Porque, se a cada obstáculo a gente encontra uma desculpa, acabamos ficando sempre no mesmo lugar. O maior aprendizado que trouxe de lá foi exatamente esse: não dar desculpas, sempre buscar soluções e manter a disciplina.
Inserido no mercado de trabalho, quais as principais lições que aprendeu nos seus 4 anos nos Estados Unidos, que estão te ajudando na sua carreira?
No mercado de trabalho, as principais lições que eu trouxe dos meus 4 anos nos Estados Unidos foram três:
1. Organização: Ninguém consegue evoluir sem ser organizado; não dá para ir pra frente vivendo no improviso.
2. Foco em soluções: Não seja a pessoa que aparece apenas com problemas, mas sim a que aparece com soluções. É muito mais valioso ir atrás da solução do que simplesmente apontar o problema e não fazer nada a respeito.
3. Trabalho duro: Aprendi a valorizar de verdade o ato de abaixar a cabeça e trabalhar duro. Antes eu não dava tanta importância a isso, mas hoje entendo como é fundamental.
Dito isso, continuo mantendo meu espírito brasileiro, porque uma coisa não anula a outra. Trabalhar duro e de verdade não significa abrir mão de aproveitar a vida ou ser feliz.
Se pudesse dar uma dica hoje para ajudar a preparação de jovens prospectos pensando em universidades no exterior através do futebol, qual seria?
Eu advogo muito pela trajetória de estudar e jogar futebol nos Estados Unidos porque é extremamente recompensadora. Você tem a chance de jogar o esporte que ama em alto nível, estudar em algumas das melhores universidades do mundo, viver sozinho em outro país, aprender outra língua e conhecer pessoas do mundo inteiro. Essa experiência transforma.
Se eu tivesse que destacar os pontos mais importantes para quem está se preparando, seriam dois:
1. Inglês: Estude inglês com seriedade. Prepare-se bem para o SAT e para o TOEFL, porque mandar bem nessas provas faz muita diferença no processo.
2. Parte física: Treine o seu corpo. Trabalhe resistência. Corra, aumente sua capacidade pulmonar, vá para a academia e fique mais forte. Estar bem fisicamente é pré requisito pra conseguir jogar futebol.
Se você tiver boas notas e um bom preparo físico, terá portas abertas para entrar em ótimas faculdades e construir uma carreira universitária de muito sucesso nos Estados Unidos.
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